“Iniciamos nossa escuta como iniciamos uma viagem, que será conduzida pelo próprio paciente. Como convidados, é importante levarmos mínima bagagem possível, se não quisermos definir o roteiro ou estabelecer nossos próprios interesses quanto a ele.” (Dunker e Thebas, 2019)
A escuta é a habilidade mais importante que uma pessoa que se dedica ao cuidado de outras, como o psicólogo, poderia desenvolver. Muitos falam sobre a diferença entre a função fisiológica do ouvir e o ato de estar receptivo e atento para escutar.
Christian Dunker e Cláudio Thebas vão justamente se debruçar sobre a temática do escutar, escrevendo quase que na forma de uma brincadeira sobre os enlaces e semelhanças de dois ofícios que precisam e desenvolvem esta habilidade: O palhaço e o psicanalista. É a analogia da escuta como uma viagem que nos permite pensá-la enquanto encontro. Aquele que escuta precisa estar disponível para trilhar um percurso que será construído em conjunto com quem é escutado. E para que as possibilidades desse caminho permaneçam abertas é preciso que nós deixemos para trás alguns juízos e preconceitos, levando apenas o necessário na nossa malinha de mão para que os nossos interesses não se sobressaiam, já que, enfim, não deixamos de ser convidados nessa viagem.
Isso não quer dizer que não haverá uma preparação ou estudo para escutar (inclusive é extremamente recomendado), mas quer dizer que precisamos estar abertos ao inusitado e ao espontâneo, que pode ser tanto pegar um trem que vai nos levar para o outro lado da cidade quanto ficar parado em silêncio na estação, se for para onde o paciente nos conduzir. Escutar é um ato brincante e demanda que estejamos dispostos para um jogo conjunto. Tanto dentro do consultório quanto em outras relações do nosso cotidiano.
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