O medo de errar é uma experiência emocional comum e pode influenciar diretamente o comportamento, o desempenho e a forma como as pessoas tomam decisões em diferentes áreas da vida, como trabalho, relacionamentos e projetos pessoais. Muitas vezes, esse medo não surge de forma isolada, mas é construído ao longo da história de vida, especialmente nas primeiras relações e contextos de aprendizagem.
Desde a infância, o erro pode ser associado à desaprovação, à crítica ou à sensação de fracasso. Com o passar do tempo, essa associação tende a se transformar em uma crença rígida, na qual errar passa a significar decepcionar, não corresponder às expectativas ou invalidar esforços feitos por outras pessoas.
Na vida adulta, esse padrão pode se manter mesmo quando o contexto já não é o mesmo, influenciando escolhas e limitando a liberdade de agir.
Pesquisas na psicologia e nas neurociências indicam que emoção e razão atuam de forma integrada, de modo que estados emocionais como medo e ansiedade afetam diretamente a capacidade de avaliar situações, considerar alternativas e se engajar em decisões importantes.
Quando o erro é percebido como ameaça, pensamentos disfuncionais podem surgir, como a tendência à catastrofização (imaginar sempre o pior cenário possível) ou a adoção de regras internas rígidas, expressas em ideias como “tenho que” ou “não posso falhar”. Esses padrões tendem a reforçar a evitação e a autossabotagem, além de intensificar sentimentos de insegurança e de inadequação.
O medo de errar também pode impactar a forma como a pessoa constrói sua autoimagem, gerando uma cobrança excessiva por corresponder a expectativas externas e sustentar uma imagem de perfeição. Nesses casos, errar é vivenciado como algo que ameaça o próprio valor pessoal, sendo tratado como uma verdade absoluta que raramente é questionada.
Refletir sobre o significado do erro pode ser um passo importante para ampliar a compreensão sobre esse medo.
O que, de fato, representa errar?
Quais aprendizados podem surgir a partir disso?
O erro não precisa ser visto como algo positivo, mas pode ser compreendido como parte inevitável do desenvolvimento humano, sinalizando a possibilidade de rever caminhos, ajustar escolhas e tentar novamente com mais consciência.
Na infância, aprender envolve errar repetidas vezes, e é justamente nesse processo que habilidades são construídas. Resgatar essa compreensão para a vida adulta pode favorecer uma relação mais funcional com as próprias falhas, permitindo escolhas mais alinhadas aos próprios valores e objetivos, sem que o medo impeça o movimento, a experimentação e o crescimento.
Referências bibliográficas
Beck, J. S. (2013). Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed.
Darwich, Rosângela Araújo (2005). Razão e emoção: uma leitura analítico-comportamental de avanços recentes nas neurociências. Estudos de Psicologia (Natal), 10(2), 215–222.






