Nessa dinâmica relacional temos duas posições que são diferentes mas se complementam: o(a) dominador(a) e o(a) sujeitado(a), e nisso um abusa do outro, impondo seus desejos, necessidades, vontades e interesses.
São posições que não precisam ser fixas, podendo o abusador se tornar abusado e vice e versa.
Ao olharmos pro contexto sócio-cultural e histórico em que vivemos, sob o regime do Patriarcado, é “natural” que as mulheres ocupem a posição de sujeição, se encontrando em relações de dominação, violência, abuso nas diversas dimensões existentes: violência física, sexual, verbal e psicológica.
A cultura patriarcal determina posições amorosas e modalidades de relação e circulação de desejo, sendo possível localizar e compreender a posição das mulheres desde os contos de fadas e desenhos infantis, com suas narrativas em que é possível observar esse sacrifício das mulheres em prol do amor, mesmo quando esse relacionamento pressupõe a anulação da vida desta ou submissão a algum tipo de violência.
E o homem no papel de dominador, Salvador, ser de desejo, aquele que dá vida a princesa (que sempre é alguém esvaziada de desejo a procura do amor masculino).
Existe uma idealização do projeto amoroso e também do objeto de amor, assim como uma onipotência de por parte de muitas mulheres, que muitas vezes negam a realidade da violência em prol de uma fantasia em que o abusador irá mudar e o amor irá perpetuar. Esse sacrifício em prol do amor é perpetuado pelo amor romântico em nossa sociedade, as violências são naturalizada e as leis e dispositivos legais deixam margens para crimes passionais.
No Amor temos dois sujeitos de desejo e consequentemente faltantes, e nas (im)possibilidades amorosas é que é possível estabelecer laços e comunicação. É necessário reinventar as posições dos amantes, lugares de flexibilidade e liberdade. É necessário a mu(dança) no Amor!
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