Essa pergunta pode soar ácida, mas não é simples. Ela costuma aparecer quando se expor deixa de ser só se mostrar e passa a envolver a forma como você pode ser percebida. Não é sobre o que você faz. É sobre o que pode ser visto.
No fundo, raramente se trata de “ser ridícula”. Mas de sustentar o risco de tocar em algo mais sensível: de não sustentar a imagem que você gostaria de transmitir. E do desconforto de se ver fora desse lugar.
Porque, quando isso entra em jogo, o medo não é só errar é parecer insuficiente, deslocada. E quase sempre há um olhar ali. Às vezes externo. Às vezes já internalizado. Mas ainda assim… presente.
Diante disso, o movimento é compreensível: evitar, recuar, ajustar demais. Se observa mais do que age. Como se fosse possível se proteger tanto sem, ao mesmo tempo, se limitar.
Talvez não seja sobre nunca parecer ridícula. Mas sobre sustentar o desconforto de não corresponder e ainda assim, se expor. Agir, mesmo sentindo-se exposta, não é sobre ser invulnerável.
É preciso ser gentil com a sua própria humanidade enquanto você tenta. Você não precisa ser perfeita para ser importante. Onde você tem se ajustado tanto… que deixou de aparecer?
“Depois do medo, vem o mundo” - Clarice Lispector
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