Muita gente chega na sessão dizendo "estou sem paciência", "não durmo direito", "perdi a graça pelas coisas", "estou travando", e só depois percebe que não é sobre incapacidade pessoal, é sobre a relação com o trabalho que foi ficando pesada.
Sabe aquela sensação de domingo à noite apertando o peito? Ou acordar já cansado, como se o dia começasse devendo? Às vezes a gente tenta resolver com técnica: curso, planilha, app de foco, café extra. Ajuda um pouco, mas não resolve o ponto central: o jeito como você está trabalhando (ou sendo cobrado a trabalhar).
Alguns sinais costumam aparecer quando o trabalho está pesando além da conta. Não precisa fazer uma lista; apenas veja se reconhece algo aqui: você começa a evitar tarefas que antes eram simples; fica mais irritado com quem você gosta; o corpo dá recados (tensão, dor de cabeça, estômago embrulhado); o sono não descansa; a mente não desliga mesmo depois do expediente; pequenas falhas viram uma autocrítica enorme; a segunda-feira tem gosto de ameaça. Em paralelo, pode surgir uma sensação estranha de indiferença: nada empolga, tudo parece "mais do mesmo".
Nem sempre é excesso de trabalho puro e simples. Às vezes é incompatibilidade de valores (o que a empresa diz e o que faz), falta de autonomia, metas que mudam o tempo inteiro, ambiente pouco respeitoso, reconhecimento raro, notificações a todo momento que não deixam você existir fora do escritório. E tem um ponto delicado: quando o seu valor pessoal passa a depender do seu desempenho, virar noite parece normal, e descansar vira sinônimo de culpa.
E como eu sei se é o trabalho mesmo?
Observe quando piora e quando melhora. Férias dão um alívio nítido? Finais de semana com fronteira clara entre "eu" e "trabalho" te deixam outra pessoa? A ansiedade cresce antes de reuniões específicas ou após mensagens de certas pessoas? Esses padrões contam a história.
Onde a terapia entra nisso tudo?
Durante o nosso atendimento iremos conversar sobre situações concretas da sua semana e mapear o que junto desses gatilhos do trabalho. Não para te adaptar ao insuportável, mas para ampliar suas respostas: comunicar limites sem romper pontes, conduzir conversas difíceis sem "explodir ou engolir", organizar o seu dia de um jeito que cabe em quem você é e, se for o caso, pensar caminhos de transição com o pé no chão. O foco não é "mudar sua personalidade", é tirar o piloto-automático e devolver direção pra você.
Se você leu até aqui e pensou "eu me vi", isso já é um dado importante. Não precisa esperar estourar para buscar ajuda. A terapia não substitui mudanças necessárias no trabalho, mas te dá ferramenta e clareza para fazê-las com menos ruído por dentro.
Se fizer sentido, a gente começa com uma conversa simples: você me conta como tem sido, eu te ajudo a organizar as peças, e juntos desenhamos próximos passos possíveis no seu ritmo, com método e cuidado.


