Quero falar com quem "dá conta de tudo". Agenda cheia, várias abas abertas na cabeça, prazos cumpridos, gente que confia em você e, por dentro, o motor não desliga. Por fora, tudo certo. Por dentro, um cansaço que não passa, um pensamento que não desacelera, um corpo em alerta mesmo no sofá. É o que muita gente chama de ansiedade "funcional": você funciona, entrega, performa… mas vive no limite.
Talvez você se reconheça em cenas corriqueiras: aceita mais uma demanda "rapidinha" porque "dá pra encaixar", revisa mensagens à noite "só pra garantir", trabalha em finais de semana e feriados para "fechar algo importante" e acorda já se sentindo em atraso. De vez em quando, o corpo reclama (tensão, dor de cabeça, alteração de apetite), a paciência encurta com quem você ama e a graça das coisas simples vai sumindo sem alarde. Nada parece "grave" o suficiente para parar e é justamente aí que mora o risco.
A ansiedade "funcional" se esconde atrás de bons resultados. Ela usa o elogio como combustível: "como você dá conta!", "não sei como você consegue!". E, quando o reconhecimento vem, a régua sobe mais um pouco. Ficar no 220 vira o padrão e você passa a estranhar o silêncio, a pausa, o vazio da agenda. Descansar vira culpa; dizer "não", incomoda.
Não é frescura e não é falta de força. É um modo de funcionamento que parece ajudar até que começa a cobrar caro: sono ruim, irritabilidade, esquecimento, dificuldade de estar presente mesmo nos momentos bons, mesmo quando você realmente quer. Pequenos erros viram monstros. E, quando alguém pergunta "está tudo bem?", a resposta automática sai: "tudo ótimo, só corrido".
Se você se viu nesse retrato, vale considerar que esse jeito de viver também precisa de cuidado. Não para você "virar outra pessoa", mas para ter espaço de respirar, se escutar e reorganizar o que importa antes de o corpo ou a vida te obrigarem a parar.
Se fizer sentido, a gente começa com uma conversa simples. Sem obrigação. Você me conta como tem sido; eu te escuto de verdade. E, juntos, vemos. E, juntos, vemos se a terapia é o passo que faz sentido agora.
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