Nem sempre a ansiedade começa como um pensamento acelerado ou um medo específico.
Em muitos casos, ela aparece primeiro no corpo: um aperto no peito, um nó na garganta, um choro que surge sem aviso ou um cansaço que não melhora, mesmo após o descanso.
Essas manifestações costumam causar confusão e, muitas vezes, fazem a pessoa questionar se está “exagerando” ou se algo está errado com ela. No entanto, o corpo pode ser um dos primeiros a sinalizar que algo precisa de atenção.
Do ponto de vista psicológico, a ansiedade é uma resposta natural do organismo diante de situações percebidas como desafiadoras ou ameaçadoras. Ela faz parte da vida e, em níveis adequados, é funcional: nos prepara, nos protege e nos ajuda a agir.
O problema surge quando essa resposta se torna intensa, frequente ou desproporcional, gerando sofrimento emocional e prejuízos no dia a dia. Nesses casos, a ansiedade deixa de cumprir seu papel adaptativo e passa a interferir na forma como a pessoa sente, pensa e se relaciona.
Muitas pessoas têm dificuldade em reconhecer ou expressar emoções. Nem sempre isso acontece de forma consciente.
Ao longo da vida, aprendemos diferentes maneiras de lidar com o que sentimos — algumas mais adaptativas, outras nem tanto. Quando sentimentos não encontram espaço para serem elaborados, o corpo pode se tornar o principal canal de expressão.
Surgem, então, sintomas como:
- sensação de bloqueio ao tentar falar sobre o que sente;
- choro intenso ou desorganizado
- tensão muscular constante;
- sensação de exaustão emocional.
- desconfortos físicos recorrentes sem causa médica aparente
Essas experiências não indicam fraqueza ou falta de controle. Elas sinalizam que há algo pedindo escuta e compreensão.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) oferece um espaço estruturado e acolhedor para compreender a ansiedade e suas manifestações. O trabalho terapêutico envolve, entre outros aspectos:
- psicoeducação sobre ansiedade e emoções;
- identificação de padrões de pensamento e comportamento;
- reconhecimento dos sinais corporais;
- desenvolvimento de estratégias de regulação emocional;
- ampliação do repertório de enfrentamento no dia a dia.
O objetivo não é eliminar emoções, mas ajudar a pessoa a se relacionar com elas de forma mais consciente e funcional, reduzindo o sofrimento associado.
Alguns sinais podem indicar que é um bom momento para procurar ajuda profissional:
- sintomas físicos e emocionais frequentes;
- dificuldade de expressar sentimentos;
- crises de choro ou ansiedade recorrentes;
- evitação de situações importantes;
- impacto negativo nas relações, no trabalho ou nos estudos.
Buscar apoio psicológico é um cuidado com a saúde emocional e não precisa acontecer apenas em momentos extremos. Se você se identificou com as experiências descritas ao longo deste texto, saiba que a ansiedade pode ser compreendida e manejada com suporte adequado. O acompanhamento psicológico possibilita desenvolver maior clareza emocional, estratégias de enfrentamento e uma relação mais saudável consigo mesmo.

Ansiedade no dia a dia
Quando o corpo fala antes das palavras



