Nessa dinâmica relacional temos a afirmação da singularidade e autonomia de cada um dos amantes, sempre relativa, afinal não existe eu sem um outro, ou uma régua que possa medir a dinâmica do casal, muito menos uma medida que determine um “relacionamento perfeito”, visto que esse tipo de perspectiva de perfeição estaria num campo ideal e não real. A perfeição é algo que não faz parte da vida! Numa relação mais horizontal teremos os interesses, os desejos e as necessidades negociadas entre as partes e cada um com o Outro que lhe atravessa.
As relações amorosas também são relações de poder, as partes envolvidas têm e fazem uso deste poder de diversas formas (psicológicas, emocionais, éticas, intelectuais e econômicas).
O poder em uma relação amorosa pode servir como potência que promova a comunicação, troca e acordos entre as partes. Essa comunicação deve existir dentro de cada um (diálogo intrapsíquico) e também deve ocorrer entre as partes (diálogo interpsíquico), o relacionamento sendo então um espaço para expressão e compartilhamento de afetos, medos, angústias, desejos, fantasias, projetos que podem ser elaborados entre o casal.
Esse tipo de relação não tem nenhuma garantia de não haver conflitos, visto que nem a vida vem sem conflitos, não seria diferente com o Amor, onde temos pessoas diferentes se relacionando. No entanto o poder pode ser compartilhado e circular entre o casal, não servindo como ferramenta de subjugação e violência do parceiro.
O Amor é um percurso (im)possível, mas é justamente na FALTA de certezas (e que bom que seja na FALTA) é que se pode ser criativo e potente.
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