O início de um novo ano costuma vir acompanhado de expectativas, metas e da ideia de que é preciso ter clareza sobre o que se deseja para os próximos meses.
Há uma pressão silenciosa para “recomeçar bem”, estar motivado e saber exatamente para onde se está indo. No entanto, para muitas pessoas, esse período também desperta cansaço, ansiedade, frustração e uma sensação de vazio difícil de explicar. Nem sempre o ano começa com entusiasmo — e isso não é sinal de fracasso, mas de humanidade.
A experiência clínica mostra que grande parte das pessoas adia a terapia por acreditar que precisa chegar com objetivos bem definidos ou com um problema claramente formulado.
Mas a terapia não exige respostas prontas. Ela é, antes de tudo, um espaço de escuta e elaboração, onde o que ainda não tem nome pode, aos poucos, ganhar forma. O não saber, a confusão interna, a sensação de estar perdido ou emocionalmente sobrecarregado não são obstáculos ao processo terapêutico — são, muitas vezes, o ponto de partida.
Ao longo do processo, pensamentos se organizam, emoções são reconhecidas e histórias pessoais podem ser revisitadas com mais cuidado e profundidade.
A terapia permite compreender padrões, acolher dores antigas e perceber movimentos internos que passam despercebidos no cotidiano acelerado. Não se trata de “consertar” algo rapidamente, mas de construir sentido, ampliar a consciência e desenvolver uma relação mais honesta consigo mesmo.
Começar terapia no início do ano não significa definir quem você será ou quais resultados precisa alcançar. Significa escolher um espaço onde você pode existir sem cobranças excessivas, falar sem julgamentos e refletir sobre sua própria trajetória. Às vezes, o maior passo não é saber exatamente o que se quer, mas reconhecer que algo precisa ser cuidado.
E a terapia pode ser justamente esse lugar onde o cuidado começa — mesmo quando ainda não há clareza, apenas a necessidade de ser escutado.
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