Muitas vezes ouvimos frases como: “Engole o choro”, “Não fica assim” ou “Você não deveria se sentir assim”.
Essas mensagens passam a ideia de que sentir é algo errado e que deveríamos ter controle total sobre nossas emoções. Desde cedo, aprendemos que algumas emoções não são bem-vindas e que demonstrá-las pode ser sinal de fraqueza.
Mas será que é mesmo possível escolher o que sentimos?
Na Análise do Comportamento, as emoções são entendidas como respostas naturais do nosso corpo às situações que vivemos. Elas fazem parte da experiência humana e têm funções importantes, como nos avisar sobre perdas, ameaças, frustrações, conquistas e vínculos. O problema não está em sentir tristeza, medo ou raiva, mas na forma como aprendemos a lidar com essas emoções.
Quando tentamos controlar, esconder ou evitar o que sentimos, muitas vezes acontece o contrário do que esperamos. Esse movimento de fugir de emoções desagradáveis pode até trazer alívio no início, mas com o tempo tende a aumentar o sofrimento.
Quanto mais tentamos “não sentir”, mais aquela emoção parece ocupar espaço na nossa mente e no nosso dia a dia.
Essa luta constante pode gerar cansaço emocional. Ao tentar evitar sentimentos difíceis, a pessoa também acaba se afastando de emoções agradáveis, como alegria e motivação.
Isso acontece porque não conseguimos escolher apenas o que queremos sentir. Com o tempo, essa desconexão pode levar à apatia e contribuir para o surgimento de quadros depressivos.
Além disso, evitar emoções não resolve os problemas da vida. Muitas vezes, sentimentos como tristeza e ansiedade funcionam como sinais de que algo precisa de atenção ou mudança. Ignorá-los é como desligar um alarme sem resolver o problema que ele aponta: a situação continua ali e tende a piorar.
Outro impacto importante aparece nas relações com outras pessoas. Quando evitamos sentimentos, também deixamos de pedir ajuda, expressar necessidades, colocar limites e compartilhar o que sentimos. Isso pode gerar afastamento e fazer com que lidemos sozinhos com dificuldades que poderiam ser divididas.
É importante lembrar que não temos controle direto sobre o que sentimos, mas podemos escolher como agir diante das emoções. Acolher sentimentos não significa se entregar a eles, mas aprender a observá-los com menos julgamento. Ao fazer isso, abrimos espaço para escolhas mais conscientes e para uma vida mais coerente com aquilo que realmente importa.
Referências
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Skinner, B. F. (1974). Sobre o behaviorismo. São Paulo: Cultrix.






